Pensam…
mas não dizem…

Felizes os que respeitam as minhas mãos enrugadas e os meus pés deformados.

Felizes os que falam comigo apesar dos meus ouvidos já não entenderem bem as suas palavras.

Felizes os que compreendem que os meus olhos começam a não ver e as minhas ideias a ficarem baralhadas.

Felizes os que com um sorriso perdem tempo a conversar comigo.

Felizes os que nunca me dizem:
«É já a terceira vez que me conta essa história.»

Felizes os que me ajudam a lembrar coisas de antigamente.

Felizes os que me dizem que gostam de mim e que ainda presto para alguma coisa.

Felizes aqueles que me ajudam a viver os últimos dias da minha vida.